Um grupo de estudantes criou uma ferramenta digital voltada ao apoio de crianças diagnosticadas com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). O projeto consiste em um jogo educativo que combina desafios interativos com recursos de acompanhamento, permitindo que pais, responsáveis e profissionais monitorem o desempenho dos usuários.
O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por dificuldades relacionadas à atenção, organização e controle da impulsividade. Pensando nesse cenário, os jovens desenvolveram uma proposta que utiliza a tecnologia como complemento ao processo de aprendizagem.
A estudante Eduarda Belles, de 20 anos, explica que o jogo foi planejado para crianças entre 8 e 10 anos. Segundo ela, a intenção não é substituir diagnósticos ou tratamentos especializados, mas oferecer uma ferramenta adicional que una educação, entretenimento e tecnologia.
De acordo com orientações de especialistas consultados durante o desenvolvimento do projeto, as atividades presentes no jogo ajudam a estimular a atenção aos detalhes e também contribuem para o desenvolvimento da coordenação motora fina, envolvendo movimentos das mãos e dos dedos.
Projeto nasceu em trabalho acadêmico
A ideia surgiu em 2024, durante a elaboração de um Trabalho de Conclusão de Curso na área de Desenvolvimento de Sistemas. O grupo decidiu criar uma solução com impacto social e, após pesquisas e observações, identificou a necessidade de métodos de aprendizagem mais atrativos para crianças com dificuldades de concentração.
A partir dessa reflexão, nasceu a proposta de transformar o aprendizado em uma experiência mais dinâmica e divertida por meio dos jogos digitais.
Com o apoio de psicólogos, psicopedagogos, educadores e profissionais do setor de games, o projeto foi desenvolvido em menos de um ano. O trabalho recebeu reconhecimento em um evento voltado ao universo dos jogos eletrônicos, conquistando os prêmios de Melhor Jogo Educativo, escolhido por um júri técnico, e Jogo da Galera, definido por votação popular.
Atualmente, a iniciativa segue em expansão dentro do ambiente acadêmico. Além do desenvolvimento do jogo, foi criada uma plataforma que permite o acompanhamento da evolução das crianças por familiares, responsáveis e profissionais da área.
Segundo Eduarda, o objetivo é aproveitar o interesse crescente das crianças pelo universo digital para estimular habilidades importantes de forma leve, envolvente e acessível.
Aventura espacial e aprendizado
Batizado de Cosmic Mind, o jogo apresenta uma temática espacial em que a criança assume o papel principal em uma jornada de exploração e descobertas. Ao longo da aventura, personagens conduzem a experiência, incentivando a curiosidade, a criatividade e a imaginação.
A narrativa também propõe reflexões sobre escolhas, evolução e construção do futuro de maneira lúdica. Alguns detalhes do projeto ainda não foram divulgados para preservar a propriedade intelectual da iniciativa, que tem previsão de lançamento nos próximos anos.
Os desenvolvedores afirmam que a prioridade neste momento é aprimorar a solução, ampliar a colaboração com especialistas e buscar oportunidades de validação junto a clínicas, profissionais e instituições parceiras.
Equipes envolvidas
O desenvolvimento do Cosmic Mind reúne integrantes das equipes Spectrum e Selenes, formadas por estudantes dos cursos de Desenvolvimento de Software Multiplataforma, Análise e Desenvolvimento de Sistemas e Jogos Digitais.
Participam do projeto Eduarda Belles, Ângelo Ferreira, Luigi Campregher, Raiza Antoneli, Takeshi Aoki, Ellen Gouveia, Luana Fontenele, Brenno D’Luca e Zeus Machado, entre outros colaboradores ligados às instituições de ensino envolvidas.







