A Unigel confirmou o encerramento definitivo da fábrica de estireno e tolueno em Cubatão, no Polo Industrial da cidade. A empresa alega inviabilidade econômica diante de um ciclo global de baixa na indústria química, com sobreoferta internacional (especialmente da Ásia), queda estrutural de preços e ausência de incentivos fiscais imediatos, que, segundo a companhia, só devem produzir efeitos a partir de 2027.
De acordo com o Sindicato dos Químicos, o fechamento deve impactar cerca de 200 trabalhadores, entre funcionários diretos e terceirizados. A entidade afirma que o cenário foi agravado pela tributação elevada no Brasil e pela entrada de estireno importado a preços inferiores ao custo de produção nacional.
Demissões serão graduais e incluem etapa de desmobilização
Segundo o sindicato, os desligamentos ocorrerão de forma gradual. Parte dos trabalhadores deve ser desligada ainda neste mês, enquanto outros permanecerão temporariamente para atuar nas etapas de desmobilização de equipamentos, limpeza industrial e saneamento ambiental, seguindo padrões técnicos, de segurança e exigências ambientais.
O sindicato informou que acompanha os desligamentos de forma individual, negociando condições financeiras, benefícios sociais e extensão da assistência médica, conforme a situação de cada trabalhador.
Sindicato cobra proteção à indústria nacional
O presidente do sindicato, Herbert Passos, afirmou que o encerramento já era esperado diante da falta de medidas de proteção à indústria nacional.
“Um dos motivos é a tributação excessiva. Ficamos os últimos dois anos sem o regime especial da indústria química e o governo federal não aceitou reduzir a alíquota nem aplicar imposto sobre o estireno importado. Está entrando produto mais barato no Brasil do que o que a gente consegue produzir, e isso acaba com qualquer indústria”, declarou.
A entidade informou que solicitou ao governo federal a aplicação de uma sobretaxa de 27,5% sobre o estireno importado, medida que não teria sido adotada.
Sigilo nas negociações e alerta para novo fechamento no Polo
De acordo com o sindicato, as negociações com a empresa vinham sendo conduzidas de forma antecipada, mas não puderam ser divulgadas antes do anúncio oficial devido a acordos formais de sigilo, comuns nesse tipo de tratativa. A entidade afirma que a divulgação antecipada poderia comprometer contratos com fornecedores, clientes e prestadores de serviço.
Além da Unigel, o sindicato informou que o fechamento de mais uma indústria no Polo Industrial de Cubatão já é dado como certo ainda neste mês, embora o nome da empresa não possa ser divulgado.
Polo Industrial já empregou 12 mil e hoje reúne menos de 4 mil, diz sindicato
Dados citados pelo sindicato apontam que o Polo Industrial de Cubatão já chegou a empregar cerca de 12 mil trabalhadores e atualmente reúne menos de 4 mil, após o fechamento de diversas indústrias ao longo dos anos. Nesse contexto, Herbert Passos afirmou que novos encerramentos podem ocorrer.
“Sem proteção, o Brasil importa o produto, gera imposto lá fora e fecha fábricas aqui”, disse.
O que diz a Unigel
Em comunicado enviado ao Cubatão Notícias, a Unigel afirmou que, desde 2023, a expansão significativa da capacidade produtiva internacional, especialmente na Ásia, vem impactando o mercado de estireno, sem perspectiva de recuperação no curto prazo. A empresa declarou que, mesmo após tratativas junto ao governo federal, os resultados atuais não permitem sustentar economicamente a continuidade da produção em Cubatão, e que eventuais incentivos fiscais só teriam efeito a partir de 2027.
Ainda segundo o sindicato, as unidades da Unigel no Guarujá seguem em operação, sem previsão de paralisação até o momento.








