Um trecho de cerca de 25 quilômetros da ferrovia operada pela concessionária Rumo, na Baixada Santista, que passa por Cubatão, voltou ao centro do debate sobre segurança após um levantamento publicado por A Tribuna relatar ataques recorrentes e cobranças por ações mais efetivas do poder público.
De acordo com o levantamento, o corredor ferroviário citado começa logo após a descida da Serra do Mar, passa nas proximidades da Estrada do Paratinga, em São Vicente, e segue pelo Perequê, em Cubatão. O trecho é estratégico por integrar o caminho usado no transporte de cargas com destino ao Porto de Santos.
Incêndio em 13 vagões em Cubatão e sequência de ocorrências
Entre os episódios destacados, o mais grave teria ocorrido na noite de 26 de novembro, quando 13 vagões carregados com celulose foram queimados em Cubatão.
O levantamento menciona ainda que, entre outubro e novembro, houve outras três ocorrências semelhantes no mesmo trecho. O sindicato afirma contabilizar seis ocorrências no período e relata também situações de saque de equipamentos dos trens, o que teria afetado empresas que dependem da malha ferroviária.
Sindicato relata pressão e adoecimento de trabalhadores
O tema é acompanhado pelo Sindicato dos Trabalhadores Ferroviários da Zona Sorocabana, que classifica o trecho como o mais perigoso do País e cobra reforço. O presidente da entidade, José Claudinei Messias, afirma que a insegurança gera forte pressão sobre os profissionais, com reflexos como afastamentos, crises de ansiedade, picos de pressão, depressão e relatos de medo mesmo entre funcionários que não vivenciaram diretamente ataques.
Ainda conforme o levantamento, o sindicato diz que cobra providências há tempos e pede ação mais concreta do Estado, inclusive durante a Operação Verão. A entidade também defende maior articulação institucional, destacando que a concessionária não tem poder de polícia.
O que diz a Rumo
Em nota, a Rumo informou que mantém diálogo e atuação conjunta com órgãos de segurança para proteger colaboradores, operação ferroviária e comunidades do entorno. A empresa afirma que, nos episódios registrados, adotou procedimentos como registro de boletim de ocorrência e ação imediata para preservar a segurança da via e das pessoas. A concessionária também pede apoio da população com denúncias anônimas.
SSP cita investigações, prisões e reforço no litoral
A Secretaria de Segurança Pública (SSP) afirmou que Polícia Civil e PM atuam de forma integrada e citou investigações conduzidas pela 1ª Delegacia de Investigações Gerais (DIG), com resultados como prisões, identificação de suspeitos e ações preventivas, além de cooperação com empresas ferroviárias e logísticas.
A SSP também informou reforço do programa Pró-Carga e da Operação Verão, com mais de 4 mil policiais e 436 viaturas no litoral paulista.
PM fala em operações e policiamento ostensivo
Já a Polícia Militar informou que mantém iniciativas permanentes para combater crimes nas linhas férreas, com policiamento ostensivo, operações específicas e articulação com outros órgãos para prevenir delitos e reforçar a segurança na malha ferroviária.
Por que isso importa para Cubatão
Cubatão integra o eixo logístico que abastece o Porto de Santos, e o trecho citado atravessa áreas estratégicas e próximas de comunidades. A escalada de ataques e furtos na linha ferroviária pode gerar impactos não só para a circulação de cargas, mas também para a segurança de trabalhadores e do entorno.








