Uma mulher de 26 anos, vítima de tentativa de feminicídio, relatou à Polícia Civil que buscou ajuda da Polícia Militar antes de ser brutalmente agredida dentro do elevador de um prédio em São Vicente (SP). Segundo o depoimento, as agressões começaram ainda em Santos (SP), onde o casal estava, e se estenderam até o condomínio onde o suspeito mora.
De acordo com a vítima, ela estava em um bar em Santos com Jonas de Oliveira, de 32 anos, quando encontrou mensagens no celular dele que deram início a uma discussão. O teor das mensagens não foi divulgado pelas autoridades.
Após o desentendimento, os dois deixaram o local e seguiram em um carro de aplicativo até a residência do homem, em São Vicente. Durante o trajeto, ele teria começado a beliscar a mulher e exigido que ela entregasse o celular. Em seguida, puxou seus cabelos, interrompendo as agressões apenas quando o veículo chegou ao destino.
Pedido de ajuda
A jovem afirmou que, ao descer do carro e pagar a corrida, procurou uma equipe da Polícia Militar que estava nas proximidades. Segundo ela, os policiais informaram que não poderiam tomar providências naquele momento porque o agressor não se encontrava no local. A orientação foi para que ela retornasse para casa.
No entanto, a vítima decidiu ir até o apartamento de Jonas para buscar seus pertences.
Agressões no apartamento
Já no andar do imóvel, ela tocou a campainha e solicitou a devolução de seus objetos pessoais. O homem insistiu para que ela entrasse no apartamento e, diante da recusa, a puxou pelo braço e a empurrou para dentro.
A mulher relatou que viu uma faca de cozinha próxima à porta e, por precaução, colocou o objeto sobre a pia. Enquanto recolhia seus pertences, o agressor teria pedido desculpas e insistido para que ela permanecesse no local. Ele também exigiu a senha do celular. Com medo, a jovem forneceu a informação. O homem acessou o aparelho e afirmou que não o devolveria. Ao ouvir que ela acionaria a polícia, ele quebrou o telefone.
Espancamento no elevador
Com o celular danificado em mãos, a vítima foi até o elevador para deixar o prédio. O equipamento desceu, mas parou em outro andar. Nesse momento, Jonas entrou no elevador e passou a agredi-la novamente.
Ela contou que foi sufocada com um golpe conhecido como “mata-leão”, além de receber mordidas no braço e na cabeça. A agressão teria sido tão intensa que ela ficou sem ar e perdeu parcialmente a consciência. Ao recobrar os sentidos, estava caída próxima à porta do elevador.
A jovem tentou fugir pelas escadas, mas foi perseguida. Desesperada, bateu em portas de apartamentos até ser acolhida por um morador, que acionou a Polícia Militar. O agressor fugiu antes da chegada dos agentes.
Segundo o relato, os policiais compareceram ao local, mas informaram que não poderiam adotar providências imediatas sem a presença do suspeito. A vítima foi encaminhada à delegacia e orientada a procurar a Polícia Civil no dia seguinte.
O crime ocorreu por volta das 2h55 do último sábado (7). As imagens das agressões passaram a circular dias depois, quando o suspeito foi preso.
Medida protetiva
Em depoimento, a mulher declarou estar abalada psicologicamente e com medo do agressor. Ela solicitou a manutenção da medida protetiva de urgência e afirmou que “teve sorte por estar viva”. Mesmo com a prisão do suspeito, disse não se sentir segura.
Histórico de violência
Conforme o boletim de ocorrência, a vítima já havia sido agredida pelo mesmo homem cerca de dois meses antes. O episódio anterior teria ocorrido após ela cumprimentar um amigo em uma balada, em dezembro de 2025.
Na ocasião, o suspeito teria desferido tapas e mordidas no rosto da mulher. Ela solicitou uma medida protetiva de urgência, que foi concedida em janeiro de 2026.







