A Polícia Militar deflagrou, nesta quinta-feira (27), uma operação especial ao longo das comunidades próximas à linha férrea entre Cubatão e São Vicente, após mais um incêndio criminoso atingir uma composição ferroviária na região. O caso mais recente ocorreu na noite de quarta-feira (26), quando uma locomotiva carregada com cerca de 900 toneladas de celulose foi incendiada e seguiu em chamas até Cubatão.
Segundo o Corpo de Bombeiros, o combate ao fogo durou mais de 10 horas, mobilizando diversas equipes, caminhões-pipa e maquinários utilizados para revirar a carga — altamente inflamável por se tratar de celulose prensada.
Força-tarefa da PM
De acordo com o tenente Bruno de Oliveira, cerca de 30 policiais militares foram destacados exclusivamente para patrulhar áreas próximas aos trilhos e identificar suspeitos. O oficial explicou que o objetivo é impedir novos ataques e mapear envolvidos na série de ocorrências que vêm sendo registradas nas últimas semanas.
“A tática de muitos criminosos é incendiar os vagões para facilitar furtos da carga ou até de peças do próprio trem. Eles já sabem exatamente o que tem mais valor para revenda”, afirmou o tenente, em entrevista à TV Tribuna.
Ele destacou ainda a dificuldade de vigilância devido à extensão da malha ferroviária. “Mesmo com a equipe de segurança da concessionária, não é possível estar em todos os pontos ao mesmo tempo.”
Investigação da Polícia Civil
A Secretaria Estadual de Segurança Pública informou, em nota, que os casos estão sendo investigados sob sigilo pela 1ª DIG da Deic de Santos, que apura a autoria e eventuais conexões entre os incêndios.
Posicionamento da Rumo
A Rumo Logística, concessionária responsável pelo transporte e pela via, classificou a situação como “crítica” e afirmou que todas as ocorrências são comunicadas imediatamente à polícia. A empresa diz atuar para isolar as áreas afetadas e minimizar riscos às comunidades próximas à ferrovia.
Histórico de ataques
Os incêndios no trecho se tornaram frequentes. No início de novembro, um vagão com celulose foi incendiado próximo ao bairro Vale Novo, em São Vicente. Em outubro, foram registrados cinco ataques em apenas três dias.
O episódio desta semana reforça o alerta e intensifica a mobilização das forças de segurança para coibir os crimes e garantir a integridade da ferrovia e dos moradores do entorno.








