Uma família do Canadá recorreu à inteligência artificial na tentativa de encontrar um parente desaparecido desde 2022 e acabou chegando a uma reportagem sobre um estrangeiro que vivia em situação de rua em Santos, no litoral paulista. A busca, no entanto, terminou de forma triste: os familiares descobriram que Karl Van Roon havia morrido um dia após a publicação da matéria, em 2024.
O pai do canadense, Terry Van Roon, afirmou que, apesar da dor, a confirmação trouxe um tipo de alívio. Segundo ele, agora a família pode, de fato, iniciar o processo de luto ao ter certeza sobre o destino do filho.
A irmã, Deanna Bistriceanu, contou que Karl tinha o hábito de viajar pelo mundo e manter contato esporádico com a família, seja por e-mail, telefone ou até mesmo com visitas inesperadas. Em 2022, porém, o comportamento fugiu do padrão: ele saiu de Vancouver, no Canadá, e não deu mais notícias.
Durante quase quatro anos, os pais, Heidi e Terry, viveram a angústia da incerteza e buscaram informações por diversos meios. Foi apenas em 2025 que decidiram utilizar ferramentas de inteligência artificial, chegando a uma reportagem publicada em junho de 2024 sobre um homem em situação de rua em Santos.
A matéria havia sido produzida a partir do pedido de um morador da cidade, que tentava identificar o estrangeiro. O homem se comunicava por linguagem de sinais, mas demonstrava compreender inglês e italiano.
Segundo o pai, o perfil descrito na reportagem combinava com o estilo de vida do filho. Karl era atraído por lugares ligados à espiritualidade, pela natureza e por ambientes acolhedores — características que, na visão da família, poderiam explicar sua permanência na cidade litorânea.
Após entrarem em contato com a Polícia Civil, os familiares receberam a confirmação de que Karl havia sido encontrado morto no dia 9 de junho de 2024, aos 39 anos, vítima de embolia pulmonar.
O reconhecimento foi feito por meio de fotografias do corpo no Instituto Médico Legal, e a identidade também foi confirmada com o envio das impressões digitais às autoridades canadenses.
Mesmo diante da perda, a mãe descreveu um sentimento misto de dor e alívio. Ela destacou que, embora seja difícil lidar com a realidade, o filho viveu de acordo com suas próprias convicções, o que considera admirável.
Agora, a família tenta viabilizar o translado do corpo para o Canadá, com o objetivo de levá-lo de volta para casa.
De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Social de Santos, a morte foi registrada inicialmente como a de uma pessoa não identificada. Por isso, o sepultamento ocorreu de forma gratuita no Cemitério da Areia Branca, no dia 18 de junho de 2024.
O órgão informou ainda que não houve, até o momento, solicitação oficial da família ou de autoridades para apoio no processo de traslado. Ressaltou também que esse tipo de procedimento segue normas legais específicas e envolve diferentes esferas, além de exigências sanitárias.
A secretaria afirmou que, caso haja formalização do pedido, os órgãos competentes poderão orientar sobre os trâmites necessários, dentro dos limites legais, permanecendo à disposição para esclarecimentos.
Já a Embaixada do Canadá no Brasil informou que está apurando as informações sobre o caso.







