Uma ação judicial apresentada recentemente contesta o projeto de construção de um novo Centro de Treinamento do Santos FC em Praia Grande. O pedido, feito pelo advogado Rui Elizeu de Matos Pereira, solicita à Justiça a suspensão do licenciamento e do início das obras, sob a alegação de possíveis danos ambientais na área escolhida.
O empreendimento, chamado de “CT Vila Praia Grande”, foi anunciado em junho de 2025 por Neymar da Silva Santos, pai do jogador Neymar Jr. A proposta prevê a construção do complexo em um terreno com mais de 90 mil metros quadrados, localizado na entrada da cidade, nas proximidades de um centro comercial.
Segundo ambientalistas, a área destinada ao projeto está situada no entorno de uma região de mata atlântica e próxima ao Parque Estadual do Xixová-Japuí. De acordo com o autor da ação, o local abriga vegetação considerada área de amortecimento ambiental, importante para a preservação da biodiversidade, além de espécies de aves ameaçadas de extinção. Ele argumenta que a obra pode representar prejuízos significativos ao meio ambiente.
O processo judicial tem como alvos a Prefeitura e a Câmara Municipal de Praia Grande, além de empresas envolvidas no projeto, como o grupo responsável pelo empreendimento comercial próximo e a NR Sports, apontada como financiadora da obra. Para fundamentar a ação, foram reunidas cerca de 700 assinaturas em um abaixo-assinado, além de informações relacionadas a um inquérito civil instaurado pelo Ministério Público de São Paulo para apurar possíveis irregularidades.
O advogado afirma que não é contrário à construção de um centro de treinamento, desde que seja realizada em uma área já degradada. Ele também questiona a ausência de participação popular no processo, alegando que não houve consultas públicas ou audiências para discutir o projeto com a população.
Ainda não há um valor definitivo atribuído à causa, mas foi estimado em R$ 1 milhão, considerando a relevância do meio ambiente, os custos de eventual recuperação de danos e os impactos que podem ser gerados.
O Ministério Público informou que o inquérito segue em andamento e aguarda informações da prefeitura. Segundo o órgão, há registro de vegetação no local, embora a área não esteja dentro dos limites do parque estadual.
Em posicionamento oficial, os responsáveis pelo empreendimento afirmaram que o projeto segue todas as exigências da legislação ambiental vigente, com base em estudos técnicos e em conformidade com o Plano Diretor do município e as normas aplicáveis à área de proteção ambiental. Também destacaram que eventuais medidas de compensação e mitigação serão adotadas conforme determinação dos órgãos competentes.
Até o momento, a NR Sports, a Prefeitura de Praia Grande e a Câmara Municipal não haviam se manifestado sobre o caso.







