Evento reúne gestores, pesquisadores e especialistas de diferentes estados; cidade destacou que já possui 5.797 árvores cadastradas e georreferenciadas
Cubatão iniciou nesta quarta-feira (19) o 2º Simpósio das Cidades Brasileiras – Árvores do Mundo, encontro nacional que coloca o município no centro das discussões sobre arborização urbana, mudanças climáticas e construção de cidades mais resilientes. Mais de 300 pessoas de diferentes regiões do País se inscreveram para participar da programação.
O evento acontece no Bloco Cultural e segue com debates até sexta-feira (21). No sábado (22), a programação será encerrada com atividades externas em áreas ambientais e pontos turísticos de Cubatão.
O simpósio reúne gestores públicos, pesquisadores, universidades, setor privado e representantes da sociedade civil. Nesta edição, há participantes de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco e Paraná.
A iniciativa é realizada em articulação com o Tree Cities of the World, programa internacional liderado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e pela Arbor Day Foundation, com participação da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana (SBAU) no Brasil.
Cubatão destaca transformação ambiental
Durante a abertura, o prefeito César Nascimento relacionou a realização do encontro à transformação ambiental vivida pelo município.
“Somos um dos maiores polos petroquímicos da América Latina e, por isso, conhecidos como cidade industrial, mas também somos conhecidos pelas nossas belezas naturais. Cubatão é uma cidade de indústria, mas também de beleza encantadora”, afirmou.
A vice-prefeita Andrea Castro também destacou a trajetória ambiental da cidade e a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.
O secretário de Meio Ambiente, Segurança Climática e Bem-Estar Animal, Cleiton Jordão, lembrou que o Conselho Municipal de Meio Ambiente (Comdema) foi criado ainda em 1975 e defendeu que a experiência de recuperação ambiental do município seja utilizada nas discussões atuais sobre adaptação climática.
“Se no passado, Cubatão era associado a problemas ambientais, hoje somos uma cidade reconhecida pelas soluções que somos capazes de construir”, declarou.
Cubatão já tem 5.797 árvores georreferenciadas
Um dos dados apresentados durante o evento foi o avanço do levantamento da arborização urbana.
Segundo a Secretaria de Meio Ambiente, 5.797 árvores foram cadastradas e georreferenciadas em 360 graus neste ano. O levantamento permite identificar a arborização existente e utilizar as informações no planejamento de novas intervenções.
Entre as políticas apresentadas pelo município estão o Plano Municipal de Arborização Urbana e as compensações ecológicas envolvendo o plantio de milhares de árvores nativas.
Cubatão também definiu neste ano o manacá-da-serra (Pleroma mutabile) como árvore-símbolo da cidade. A espécie foi escolhida pela população em votação realizada em fevereiro entre sete espécies nativas da Mata Atlântica.
Prefeitos discutem cidades mais verdes
Após a abertura, uma mesa de debates reuniu representantes de diferentes municípios para discutir o tema “Cidades verdes, cidades resilientes – estratégias municipais para a arborização urbana e o desenvolvimento sustentável”.
Participaram César Nascimento, de Cubatão; Kayo Amado, de São Vicente; Alberto Mourão, de Praia Grande; Audrey Kleys, vice-prefeita de Santos; Jacob Souto, prefeito de Patos, na Paraíba; e o subsecretário estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Jônatas Souza Trindade.
Os participantes apresentaram experiências envolvendo arborização de canteiros e rotatórias, implantação de parques, áreas de lazer, fiscalização ambiental e proteção de áreas naturais.
Jônatas Trindade destacou a necessidade de as cidades combinarem a infraestrutura urbana convencional com áreas verdes.
Segundo ele, as árvores podem contribuir para reduzir ilhas de calor, aumentar a absorção da água da chuva e diminuir processos erosivos.
Cubatão é reconhecida pelo segundo ano
Cubatão recebeu o reconhecimento do programa Tree Cities of the World em 2025 e novamente em 2026.
A certificação reconhece municípios que adotam práticas relacionadas ao planejamento, plantio, manejo e preservação das árvores e florestas urbanas.
Durante o simpósio, a presidente da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana, Ana Lícia Patriota, destacou a mudança de percepção sobre o município.
“Quando dizemos que vamos para Cubatão, muita gente me perguntou o que eu faria aqui. Hoje podemos responder: vamos para uma ‘Cidade Árvore do Mundo’”, afirmou.
Programação continua até sábado
Nesta quinta-feira (20), os painéis discutirão arborização e resiliência climática, governança e financiamento verde e utilização de dados e tecnologia na gestão das árvores.
Na sexta-feira (21), entram em pauta justiça socioambiental, saúde urbana, equidade territorial, biodiversidade e serviços ecossistêmicos.
O encerramento acontece no sábado (22), com atividades externas gratuitas. Estão previstas visitas à Usina Hidrelétrica Henry Borden, Parque Caminhos do Mar e Parque Itutinga-Pilões, aproximando os participantes de áreas que ajudam a contar a história ambiental de Cubatão.







