CUBATÃO CLIMA

Brasileiro presencia ataque em aeroporto de Dubai antes de retornar ao país

O brasileiro Paulo Vasquez Alvarez, de 84 anos, viveu momentos de tensão no Aeroporto de Dubai pouco antes de embarcar de volta ao Brasil. O aposentado aguardava o voo quando presenciou um ataque nas proximidades do terminal. Apesar do susto, ele conseguiu retornar para casa e foi recebido pela família em Santos.

Paulo havia ficado dias confinado em um cruzeiro atracado no porto de Dubai após a escalada do conflito no Oriente Médio. Ao relatar o episódio, ele contou que um drone ou míssil caiu próximo ao aeroporto momentos antes do embarque.

“Estou em casa depois de um sufoco enorme, logo após cair um drone ou míssil perto de nós no Aeroporto de Dubai. Graças a Deus, já estou no convívio com nossos familiares e amigos”, afirmou.

Segundo o aposentado, o clima no local era de correria e apreensão, já que o aeroporto estava cheio. Ele descreveu a situação como “horrível e surreal”. Paulo desembarcou em Guarulhos por volta da 1h da madrugada deste domingo (8) e chegou em casa pouco depois.

De acordo com a família, o voo sofreu atraso de aproximadamente seis horas por causa do ocorrido. Para o filho Paulo Vasquez Alvarez Júnior, de 53 anos, aquele foi o último momento de tensão antes do retorno do pai. “Foi a última emoção para ir embora. A emoção de saideira”, disse.

Durante a viagem, ele e os irmãos Marcos e Ana Paula Vasquez acompanharam o trajeto do pai por aplicativos de monitoramento de voo. A preocupação foi constante. “Eu não conseguia dormir. Ficava acompanhando por onde o avião passava até a hora de ele chegar”, contou Júnior, que também contratou um motorista para buscar o pai no aeroporto.

Ao chegar ao apartamento, o aposentado foi recebido com uma surpresa organizada pelo filho Marcos e pelas netas, que prepararam um cartaz e encheram bexigas para celebrar o retorno do avô. “Foi um momento de muita emoção. Conseguimos respirar aliviados”, relatou Marcos.

Dias de angústia

Os filhos de Paulo contaram que a família viveu dias de grande preocupação enquanto ele permanecia na região em meio ao conflito. “Saber que a guerra estava acontecendo e que nosso pai, de 84 anos, estava lá foi desesperador”, lembrou Paulo Júnior.

Segundo eles, Paulo e a namorada, que também estava no cruzeiro, receberam assistência da equipe da embarcação e do Consulado Brasileiro em Dubai. Dentro do navio, havia suporte de alimentação e acesso à internet.

Mesmo assim, a família seguia apreensiva por causa das notícias sobre o conflito e da incerteza em relação ao retorno do aposentado ao Brasil.

Três dias antes do desembarque, Paulo e outros brasileiros receberam da companhia responsável pelo cruzeiro uma proposta alternativa para deixar Dubai por terra. O plano previa uma viagem de ônibus até Mascate, em Omã, seguida de um voo para Madri, na Espanha.

No entanto, não havia garantias sobre a segurança do trajeto. “A própria embaixada orientava que ninguém saísse do local onde estava”, explicou Marcos. Diante disso, os turistas recusaram a proposta e o plano foi cancelado.

No dia seguinte, o voo de Paulo foi confirmado para sábado (7), mas a família ainda temia que houvesse cancelamento. Além disso, havia a preocupação de que, caso deixassem o navio e o voo fosse suspenso, eles não pudessem retornar à embarcação.

Após uma reunião, a empresa responsável decidiu garantir que, se algo desse errado, os passageiros poderiam voltar para o cruzeiro. A companhia também organizou o transporte dos turistas até o aeroporto.

“Era uma mistura constante de nervosismo, sufoco e alívio”, relatou Marcos. Segundo ele, o ataque nas proximidades do aeroporto foi o último episódio de tensão vivido pela família. “Até o último minuto houve apreensão.”

Repatriação de passageiros

Em nota, a companhia responsável pelo cruzeiro informou que organizou voos para mais de 1.500 passageiros que estavam a bordo do navio em Dubai, permitindo que deixassem a região.

Até o momento, sete voos já haviam partido levando turistas para diferentes países. As viagens incluíram aeronaves fretadas e assentos reservados em companhias aéreas comerciais.

Os passageiros foram encaminhados para diversos destinos, entre eles Reino Unido, Itália, Alemanha, Espanha, Estados Unidos e Brasil.

Segundo a empresa, a operação de repatriação exigiu uma grande mobilização para garantir o retorno seguro dos viajantes em meio ao cenário de tensão na região.

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Almir Anhas

http://cubataonoticias.com

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