Moradora que marcou gerações na Serra do Mar deixou uma história de acolhimento, trabalho e ligação profunda com a formação dos bairros-cota
A memória da Cota 200, em Cubatão, segue marcada pela trajetória de Dona Merenciana, carinhosamente conhecida como Dona Merência. Moradora histórica da região, ela morreu na semana passada, aos 96 anos, deixando uma história ligada à formação dos bairros-cota e à vida de muitas famílias que passaram pela Serra do Mar.
Ao longo de décadas, Dona Merência se tornou uma referência para moradores, trabalhadores e viajantes. Sua presença ficou registrada na lembrança de quem acompanhou o crescimento da comunidade e encontrou nela uma figura de acolhimento, simplicidade e força.
Mãe de 12 filhos, Dona Merência construiu uma trajetória marcada pelo trabalho e pela dedicação à família. Segundo a reportagem de A Tribuna, ela viveu ao lado do marido por 47 anos, até a morte dele, e viu sua história se entrelaçar com a própria formação da Cota 200.
Durante muitos anos, ela acolheu trabalhadores e famílias que chegavam à região da Serra do Mar. Em uma época de crescimento urbano, deslocamentos difíceis e poucas estruturas, pessoas como Dona Merência ajudaram a formar laços comunitários e oferecer apoio a quem precisava.
Com o passar do tempo, deixou a pensão e passou a trabalhar em barracas às margens das rodovias Anchieta e Imigrantes, vendendo cachorro-quente, bolos e outros alimentos. Mais do que um ponto de venda, o local se tornou parte da rotina de muita gente que circulava pela região.
A história de Dona Merência também ajuda a contar a história dos bairros-cota, áreas que nasceram da ocupação de famílias trabalhadoras em meio à Serra do Mar. A Cota 200, assim como outras comunidades da região, carrega memórias de resistência, solidariedade e construção coletiva.
Para muitos moradores, ela representa uma geração que ajudou a levantar a comunidade com esforço diário, cuidado com os vizinhos e presença constante na vida do bairro. Sua trajetória atravessou transformações urbanas, mudanças no acesso à serra e diferentes fases da história de Cubatão.
Mais do que uma moradora antiga, Dona Merência deixa um legado afetivo. Seu nome permanece ligado às lembranças de acolhimento, comida feita com carinho, conversas, família grande e presença firme em uma comunidade que aprendeu a crescer enfrentando desafios.
A partida de Dona Merência encerra um capítulo importante da história viva da Cota 200, mas sua memória segue preservada nas histórias contadas por familiares, vizinhos e por todos que cruzaram seu caminho.
Em Cubatão, histórias como a dela ajudam a lembrar que a cidade não é feita apenas por obras, prédios e ruas. Ela também é construída por pessoas que, com trabalho silencioso e generosidade cotidiana, deixam marcas profundas na identidade de um bairro inteiro.







