Crime aconteceu em abril de 2023, na Vila Nova; réu responde por homicídio triplamente qualificado
Felipe Alves de Souza Lima, acusado de matar Ana Flávia Pereira Oliveira, de 42 anos, dentro da farmácia onde ela trabalhava, é julgado nesta quarta-feira (9) pelo Tribunal do Júri de Cubatão.
A sessão começou às 11h30, no Fórum de Cubatão, e segue em andamento.
O crime aconteceu em 27 de abril de 2023, em uma farmácia localizada na Avenida Martins Fontes, no bairro Vila Nova.
Ana Flávia trabalhava no estabelecimento quando foi atingida por disparos na cabeça e no ombro. Ela chegou a ser socorrida e encaminhada ao Pronto-Socorro Central de Cubatão, mas não resistiu aos ferimentos. A vítima deixou uma filha.
Felipe, que havia trabalhado como segurança na farmácia, foi apontado como principal suspeito. Após o crime, o autor dos disparos fugiu de carro.
Prisão ocorreu dez meses depois
Felipe foi preso em fevereiro de 2024, cerca de dez meses após o crime.
Policiais civis cumpriram mandados em endereços ligados ao investigado. Ele foi localizado escondido embaixo de uma cama na casa dos pais, no bairro Vila Nova, em Cubatão.
Desde então, permanece respondendo ao processo criminal.
O Ministério Público denunciou o réu por homicídio triplamente qualificado, considerando motivo torpe, recurso que teria dificultado a defesa da vítima e feminicídio.
Relatos de perseguição e ameaça
Durante a investigação, uma testemunha relatou que Ana Flávia vinha sendo perseguida pelo acusado havia pelo menos um mês antes do assassinato.
À época, a delegada Mayla Ferreira Hadid, da Delegacia de Defesa da Mulher de Cubatão, informou que o investigado passou a frequentar a farmácia quase diariamente, o que teria começado a incomodar a vítima.
Segundo as informações reunidas durante a investigação, no dia anterior ao crime ele teria seguido Ana Flávia durante o horário de almoço, abordado a vítima próximo ao carro, feito uma ameaça de morte e dado um tapa nela.
Julgamento está em andamento
De acordo com o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), o julgamento começou às 11h30 desta quarta-feira (9), no Fórum de Cubatão, e permanece em andamento.
A primeira das nove testemunhas previstas para prestar depoimento começou a ser ouvida durante a sessão.
O processo tramita sob segredo de Justiça e, por esse motivo, o Tribunal informou que não pode fornecer outras informações sobre o andamento do caso neste momento.
Apesar do sigilo processual, o julgamento é aberto ao público. Quem acompanha a sessão no plenário pode fazer anotações, mas não é permitida qualquer captação audiovisual dentro do plenário ou nas dependências do Fórum.
Júri já havia sido adiado
O julgamento estava inicialmente previsto para março deste ano, mas a sessão acabou cancelada depois que o então advogado do réu deixou o plenário.
Na ocasião, ele alegou não ter tido tempo suficiente para reunir e apresentar documentos necessários à defesa.
Família espera condenação
O advogado Mário Badures, que representa a família de Ana Flávia, afirmou que os parentes acompanham o julgamento com expectativa e esperam a condenação do acusado.
“Aguarda-se, serenamente, que as incontestáveis provas colhidas nos autos sejam referendadas pelos jurados, condenando o autor dessa barbárie cruel pelo feminicídio qualificado descrito na denúncia”, declarou.
Segundo o advogado, houve perseguição anterior ao crime e uma série de episódios que atingiram a dignidade da vítima. Ele também destacou que o acusado permaneceu foragido por quase um ano antes de ser preso.
A representação da família defende ainda uma condenação exemplar, citando a suposta motivação torpe, o recurso que teria impossibilitado a defesa de Ana Flávia e o contexto de violência apontado no processo.
Até o momento, não há informação oficial sobre o resultado do julgamento.







