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CUBATÃO CLIMA

Identificação de jovem encontrado morto em Guarujá foi possível por meio de fragmento de dedo

O corpo de José Luis da Costa Oliveira, de 25 anos, foi identificado por meio da análise de uma falange, estrutura que compõe os dedos das mãos. O jovem, que trabalhava como analista de sistemas, estava desaparecido desde o dia 8 de outubro, após ser vítima de um golpe durante a negociação de seu próprio veículo.

A identificação foi confirmada pela advogada Bianca Santiago, que representa amigos e familiares da vítima. O corpo foi localizado em avançado estado de decomposição em uma área de mata no bairro Vila Alzira, em Guarujá, no litoral paulista.

José era natural do Pará e havia se mudado para a capital paulista por motivos profissionais. Antes de desaparecer, ele gravou um vídeo relatando ter sido vítima de uma fraude envolvendo a venda de seu automóvel.

O cadáver foi encontrado em 22 de outubro, depois que moradores da região acionaram a Polícia Militar devido ao forte odor vindo de uma área próxima à Avenida General Rondon.

Como funciona a identificação pelas falanges?

O perito legista Nelson Massini, que atua na Defensoria Pública do Rio de Janeiro, explicou que a impressão digital é um dos métodos mais rápidos e eficientes para identificar uma pessoa.

Quando existe a suspeita sobre a identidade do corpo, os profissionais podem consultar os registros de identificação civil e comparar as digitais disponíveis com os fragmentos encontrados durante a perícia.

Segundo o especialista, mesmo uma pequena parte de uma impressão digital pode ser suficiente para confirmar a identidade de alguém.

Quando os dedos não estão em condições adequadas de preservação, existem técnicas que permitem recuperar as características necessárias para a análise. Entre os procedimentos possíveis estão a retirada da pele das mãos para a confecção de uma espécie de luva, além da aplicação de glicerina para recuperar o volume de dedos desidratados.

Caso a identificação pelas digitais não seja possível, outros recursos podem ser utilizados. Entre eles estão a análise da arcada dentária, desde que existam registros odontológicos para comparação, e exames de DNA realizados a partir de ossos das falanges ou das pernas.

O especialista explicou que os exames genéticos costumam levar aproximadamente uma semana para apresentar resultados, embora esse prazo possa representar uma longa espera para familiares que aguardam a confirmação sobre um ente querido.

Como aconteceu o golpe envolvendo o carro?

O golpe começou depois que José anunciou seu veículo para venda nas redes sociais. Um homem entrou em contato com o jovem e se ofereceu para intermediar a negociação.

Durante o processo, uma mulher demonstrou interesse na compra e passou a tratar diretamente com o suspeito. Seguindo as orientações do intermediador, José realizou a transferência do automóvel para a compradora.

A mulher, por sua vez, depositou R$ 24 mil na conta do golpista, que desapareceu com o dinheiro. Dessa maneira, tanto José quanto a compradora acabaram sendo vítimas da fraude.

De acordo com a advogada Bianca Santiago, o jovem chegou a gravar um vídeo para esclarecer que a mulher que adquiriu o veículo não tinha participação no golpe, já que havia realizado o pagamento solicitado.

O vídeo foi localizado no computador de José, que estava desbloqueado.

Últimos passos antes do desaparecimento

Além das gravações, familiares conseguiram acesso aos registros de viagens realizadas pelo jovem por meio de aplicativos de transporte. As informações ajudaram a reconstruir parte de seu deslocamento no dia do desaparecimento.

Confira os principais acontecimentos:

  • Primeira corrida: após transferir o veículo, em 8 de outubro, José solicitou uma viagem por aplicativo. Durante o percurso, o motorista percebeu que ele estava chorando. Na ocasião, o jovem ofereceu R$ 700 para que fosse levado até Santos em uma corrida particular.

  • Passagem pelo apartamento: antes de seguir viagem, José pediu para passar pelo apartamento onde morava, no bairro Bela Vista, em São Paulo. Câmeras de segurança registraram sua entrada e saída aproximadamente oito minutos depois, já com outra roupa.

  • Parada em Santos: posteriormente, o motorista deixou o jovem em um bar localizado no bairro Boqueirão. Imagens de monitoramento mostraram José sozinho no estabelecimento.

  • Deslocamento para Guarujá: depois de deixar o bar, José solicitou outra corrida por aplicativo em direção à balsa. Durante o trajeto, ofereceu R$ 500 ao motorista para que a viagem até Guarujá fosse realizada fora da plataforma.

  • Relato durante o percurso: segundo informações repassadas pelas advogadas, o motorista contou que o jovem estava embriagado e bastante abalado por causa do golpe. Durante a conversa, José comentou que gostaria de tomar um banho de mar.

  • Último local conhecido: o motorista deixou o analista de sistemas em frente a um condomínio em Guarujá. Os familiares tentaram conseguir imagens das câmeras de segurança do local, mas as gravações já não estavam disponíveis.

  • Última mensagem: na noite do desaparecimento, José entrou em contato com uma ex-namorada e perguntou se ela estava noiva. Após receber a confirmação, respondeu que ela não o veria mais. Depois dessa conversa, a mulher não conseguiu mais falar com ele.

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) foi procurada para comentar o caso, mas não apresentou manifestação.

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Almir Anhas

http://cubataonoticias.com

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