Beatriz da Silva Rosa, de 31 anos, foi presa nesta terça-feira (3), em Santos, no litoral de São Paulo. Segundo a Polícia Civil, ela era procurada pela Justiça por suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas atribuído ao marido, Leonel Andrade Santos, morto durante a Operação Verão, em 2024.
Beatriz ganhou repercussão nacional após perder o marido e o filho, Ryan da Silva Andrade, de apenas quatro anos, em ocorrências envolvendo confrontos policiais no Morro São Bento, em Santos, em um intervalo de nove meses.
A prisão aconteceu após o sistema de inteligência da Polícia Federal identificar a mulher em uma agência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), localizada no bairro Boqueirão. A informação foi encaminhada ao 3º Distrito Policial (DP), que mobilizou uma equipe para realizar a abordagem.
Na ocasião, Beatriz estava no local para passar por uma perícia médica relacionada a um pedido de auxílio-doença.
De acordo com o boletim de ocorrência, os policiais realizaram a abordagem e verificaram a existência de um mandado de prisão expedido pelo Departamento Estadual de Execução Criminal de Santos, vinculado à 7ª Região Administrativa Judiciária. A ordem judicial tinha validade até 3 de março de 2038.
Os agentes cumpriram o mandado e, durante a revista pessoal, não encontraram nenhum objeto ilícito com a mulher.
Em nota, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) informou que a audiência de custódia está prevista para esta quarta-feira (4). O órgão também esclareceu que o processo tramita sob segredo de Justiça. A defesa de Beatriz não foi localizada.
Mortes do marido e do filho
Leonel Andrade Santos morreu em 9 de fevereiro de 2024, após ser baleado por policiais do 4º Batalhão de Choque durante a Operação Verão.
Na época, familiares e moradores que presenciaram a ocorrência relataram que os agentes chegaram ao local efetuando disparos. Já a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que o homem teria apontado uma arma contra os policiais militares durante uma ocorrência relacionada ao tráfico de drogas.
Meses depois, em 5 de novembro de 2024, o filho do casal, Ryan, de quatro anos, também morreu após ser atingido por um disparo durante uma ação policial no Morro São Bento.
Na ocasião, policiais perseguiam dois adolescentes suspeitos de envolvimento em crimes. Um deles, identificado como Gregory Ribeiro Vasconcelos, morreu durante a ocorrência, enquanto o outro ficou ferido.
Ryan brincava na calçada com outras crianças quando foi atingido por um tiro no abdômen.
Posteriormente, a investigação sobre a morte do menino foi arquivada pelo Ministério Público. A Promotoria concluiu que o policial responsável pelo disparo agiu em legítima defesa durante o confronto com suspeitos armados e considerou a morte da criança uma consequência imprevisível da ação.
Na ocasião, a defesa da família informou que recorreria da decisão.







