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Incendio da Vila Socó- 40 anos de uma das maiores tragédias do Brasil.

A comunidade de Vila Socó, situada às margens da via Anchieta, em uma extensão de mangue de aproximadamente 2.000 m x 80 m, abrigava cerca de 6 mil habitantes distribuídos em aproximadamente 600 barracos, conforme dados das autoridades da época. No entanto, relatos de sobreviventes sugerem que o número de moradores poderia chegar a 12 mil, com entre 1.200 e 2.500 barracos na favela. A maioria das habitações era erguida sobre palafitas que se estendiam pela área do mangue, conectadas por pontes de madeira para facilitar a locomoção dos residentes.

O trágico incêndio que assolou a favela teve início na madrugada de 24 para 25 de fevereiro de 1984, sendo possivelmente desencadeado pelo vazamento de 700 mil litros de gasolina de um duto próximo, proveniente de uma refinaria da Petrobras na região. A origem precisa do fogo permanece incerta, atribuída tanto a faíscas de fósforos quanto a possíveis curtos-circuitos. O incêndio devastador consumiu cerca de 1.200 barracos, resultando na morte de 93 pessoas e deixando 3 mil desabrigadas, de acordo com dados oficiais.

A comoção e a cobertura midiática foram intensas. Investigações posteriores indicaram que uma falha de comunicação entre um funcionário da Refinaria Presidente Bernardes, em Cubatão, e os responsáveis pelo terminal da Petrobras no Porto de Santos provavelmente desencadeou o desastre. No dia do incidente, quando estava prevista a transferência de uma grande quantidade de gasolina para o terminal, uma válvula crucial permaneceu fechada, causando uma pressão excessiva no duto e resultando em seu rompimento, despejando o combustível inflamável nas áreas pantanosas da favela.

A resposta ao desastre foi prejudicada por atrasos significativos. Os moradores alertaram a Petrobras logo no início do incêndio, mas a empresa se recusou a agir até a chegada de seu engenheiro responsável, residente em Santos, o que retardou os esforços de socorro. Essa atitude foi amplamente criticada como negligente.

Embora os números oficiais apontem 93 mortes, relatos divergentes de testemunhas e entidades sugerem que o número real de vítimas pode ser muito maior. Documentos recentemente divulgados indicam que o número total de mortos pode ser de  508, destacando a gravidade e o impacto devastador do incidente na comunidade de Vila Socó.

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