Uma investigação da Polícia Federal revelou a atuação conjunta de brasileiros com a máfia italiana conhecida como ‘Ndrangheta em um esquema internacional de tráfico de cocaína. Segundo as apurações, a organização criminosa utilizava rotas marítimas para enviar drogas do Brasil para países da Europa e da África, movimentando mais de duas toneladas de cocaína em apenas um ano.
No âmbito das investigações, a 5ª Vara Federal de Santos determinou a expedição de dez mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão contra os suspeitos. As medidas fazem parte da Operação Narco Sky, considerada um desdobramento da Operação Narco Vela.
Além das prisões e buscas, a Justiça autorizou o bloqueio e o sequestro de mais de R$ 631 milhões em bens, valores e criptoativos ligados aos investigados. O montante foi calculado com base no equivalente a três toneladas de cocaína apreendidas durante as investigações que deram origem à Operação Narco Vela.
De acordo com a decisão judicial, as apurações indicaram a existência de uma estrutura criminosa organizada, com divisão de funções, elevado grau de especialização e capacidade para executar operações internacionais. O documento também destaca a colaboração com a máfia italiana ‘Ndrangheta, considerada uma das mais influentes organizações criminosas do mundo, com atuação em dezenas de países.
Cooperação internacional ajudou a desvendar esquema
As investigações receberam apoio das autoridades francesas por meio de cooperação jurídica internacional. A partir desse intercâmbio, a Polícia Federal teve acesso a informações extraídas dos servidores da plataforma criptografada SKY ECC.
Segundo a decisão judicial, o sistema de comunicação era amplamente utilizado pelos integrantes da organização para tratar de carregamentos de cocaína destinados à Europa. O uso da criptografia tinha como objetivo dificultar o monitoramento e a interceptação das conversas por órgãos de segurança.
A análise do material permitiu identificar pelo menos sete operações de tráfico realizadas em 2020. Somadas, elas resultaram no transporte de aproximadamente 2,3 toneladas de cocaína por meio de embarcações que passaram por portos do Brasil, da Espanha, da Itália e da Holanda.
Entre os casos identificados está a colocação de 80 quilos de cocaína em um navio no Porto de Santos, em março de 2020. Outro episódio envolveu a apreensão de 321 quilos de pasta base de cocaína em um imóvel localizado em Guarujá. Conforme a investigação, após tomarem conhecimento da ação policial, integrantes do grupo transferiram parte da carga para outro esconderijo.
As apurações também apontam que a organização possuía uma estrutura dividida em diferentes níveis de atuação. Havia um núcleo responsável pelo financiamento e pelas decisões estratégicas fora do Brasil, uma coordenação nacional encarregada da logística em território brasileiro e células operacionais voltadas ao armazenamento, preparação e transporte da droga.
Operação teve alvos em três estados
A Operação Narco Sky foi realizada no dia 2 de junho em endereços localizados nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e Pará.
A Justiça também autorizou a inclusão de dois investigados na Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo utilizado para localização e captura internacional de foragidos. A medida foi adotada diante da suspeita de que ambos estejam fora do território brasileiro.
Os alvos são Antun Mrdeza, conhecido pelos apelidos Nikola Boros e Jhon Gotti, e Alejandro Salgado Vega, chamado de Tigre. Conforme as investigações, os dois são apontados como lideranças do grupo na Europa.
No caso de Antun Mrdeza, a Polícia Federal o relaciona a um centro internacional de comando do narcotráfico. Autoridades colombianas o associam a uma rede criminosa responsável pela movimentação de grandes carregamentos de cocaína em diversos países, sendo alvo de investigações em pelo menos sete nações.
Além deles, também são alvos da operação:
- Marco Aurélio de Souza, conhecido como Lelinho;
- Pedro Alonso Camacho Fernandez, o Vince;
- Rafael Gonçalves Sayão, o Cabelinho;
- Antônio Greg Ribeiro Pinheiro, o Fisherman;
- Fábio Rodrigues Ulhoa Cintra, o Sapão;
- Walter Pires Junior, o Waltinho;
- Ivan de Freitas Santos;
- Klaus de Castro Rios Motta e Silva.







