Um bebê de um ano e um mês voltou da creche com marcas de mordidas e hematomas na cabeça, e a mãe acusa a unidade de negligência em Guarujá. Segundo a família, a criança apresentou ferimentos em duas ocasiões diferentes sem que os responsáveis fossem informados sobre o que teria ocorrido dentro da instituição.
A mãe do menino, Letícia Silva Oliveira, de 33 anos, contou que o filho foi matriculado no Núcleo de Educação Infantil Conveniada Criart, no bairro Morrinhos, em janeiro deste ano. De acordo com ela, o primeiro episódio aconteceu no dia 26 de março, quando a criança chegou em casa com quatro marcas de mordidas pelo corpo.
Ainda segundo Letícia, os ferimentos só foram percebidos após ela buscar o filho na unidade, já que não recebeu qualquer aviso prévio da equipe da creche. Após o ocorrido, a mãe afirmou ter ficado insegura em continuar levando o menino ao local.
“Fiquei bastante tempo sem levar ele, fiquei com medo”, relatou.
Ela disse ainda que, algum tempo depois, foi informada pela orientadora da unidade de que a professora responsável pela turma havia sido desligada.
Mesmo receosa, Letícia decidiu retornar com o filho à creche. Porém, no dia 28 de abril, um novo caso chamou a atenção da família. A cunhada dela foi buscar o menino e encontrou a criança com três mordidas na testa e dois hematomas na cabeça.
Segundo a mãe, novamente não houve qualquer comunicação por parte da unidade sobre os ferimentos nem explicações claras sobre o que teria acontecido.
Na mesma noite, o bebê foi levado a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde passou por avaliação médica. Uma tomografia foi solicitada, mas o exame não apontou lesões graves, e a criança acabou liberada após o atendimento.
Letícia afirmou ter questionado a direção da creche sobre os hematomas. Conforme o relato dela, funcionárias informaram que o menino teria batido a cabeça na parede. A mãe, no entanto, disse não acreditar nessa versão devido à localização das marcas, que apareceram na testa e também na lateral da cabeça.
A família foi orientada a registrar um boletim de ocorrência, mas a mãe informou que ainda não conseguiu comparecer a uma delegacia para formalizar a denúncia.
Em nota, a Secretaria de Educação de Guarujá informou que recebeu a denúncia e iniciou os procedimentos de apuração junto à administração da unidade conveniada. A pasta afirmou ainda que a mãe foi acolhida pela equipe técnica e recebeu orientações sobre os encaminhamentos do caso.
Segundo a secretaria, a investigação ocorre com transparência e rapidez para garantir um ambiente seguro para alunos e funcionários. O órgão também destacou que realiza visitas periódicas e acompanhamento contínuo nas unidades da rede municipal.
Outras famílias também relataram situações semelhantes envolvendo a mesma creche.
Milene de Oliveira Nunes afirmou que a filha, também de um ano e um mês, já retornou da unidade com assaduras, mordidas e hematomas. De acordo com ela, os funcionários não costumavam informar o que havia acontecido e, quando questionados, não apresentavam explicações sobre os machucados.
A mãe contou que passou a examinar a filha diariamente ao chegar em casa para verificar possíveis marcas no corpo.
“Todo dia é uma coisa nova naquela creche”, afirmou.
Outra mãe, que preferiu não se identificar, relatou um episódio parecido envolvendo a filha de um ano e três meses. Segundo ela, o caso ocorreu no início deste ano.
De acordo com o relato, o marido levou a criança normalmente para a creche e, cerca de uma hora depois, funcionários da unidade entraram em contato perguntando se a menina havia sofrido alguma queda antes de chegar ao local, pois ela estaria com o rosto machucado.
A mãe afirmou que negou qualquer acidente antes da entrada da filha na creche.
“Meu marido levou ela e ela não tinha marca nenhuma no rosto”, disse.







