[radio_player id="1"]
CUBATÃO CLIMA

Cubatão realiza roda de conversa sobre dependência química e saúde mental

Encontro fez parte da Semana Municipal de Políticas Sobre Drogas e destacou acolhimento, escuta e trabalho em rede

 

O Conselho Municipal Antidrogas de Cubatão (Comad), com apoio da Prefeitura, promoveu na manhã desta sexta-feira (26) uma roda de conversa sobre dependência química e os impactos na saúde mental.

 

O encontro aconteceu no Bloco Cultural, dentro da programação da Semana Municipal de Políticas Sobre Drogas, e reuniu profissionais da saúde, assistência social, estudantes, representantes da sociedade civil e da Administração Municipal.

 

A atividade foi realizada no Dia Internacional contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas e teve como principais pontos de debate o acolhimento, a escuta qualificada, a prevenção, a redução de danos e o fortalecimento das políticas públicas.

 

Participaram do evento estudantes da área de enfermagem da Escola Politécnica de Cubatão – Cien, representantes da Pastoral da Sobriedade, do Centro de Atenção Psicossocial de Cubatão (CAPS), do Centro de Apoio, Desenvolvimento e Qualificação (Cadeq), além de profissionais da rede pública e membros da sociedade civil.

 

Durante a abertura, o prefeito César Nascimento destacou a importância de discutir o tema de forma responsável e parabenizou a atuação dos profissionais da área, do Cadeq e do Comad.

 

“É uma questão que assola toda a sociedade brasileira; saúde mental é a doença do século. Para isso, a Administração Pública está à disposição para que a gente continue avançando e saia daqui com mais direcionamentos no cuidado com a população cubatense”, afirmou.

 

O secretário de Governo e Comunicação Social, Guilherme Amaral, também participou da abertura e defendeu o fortalecimento de políticas públicas como forma de enfrentamento ao uso de drogas.

 

“Não podemos agir sob uma ótica político-partidária, mas sob o ponto de vista técnico e científico. A droga não é a causa, mas o efeito, porque o acesso é efetivamente ensejado principalmente por questões de faltas de oportunidades sobre qualquer aspecto e das mais diversas naturezas”, declarou.

 

Debate sobre prevenção e cuidado

 

O presidente do Comad, Serafim Neto, afirmou que a dependência química ainda é cercada de preconceitos e pouco debatida, apesar de atingir milhões de brasileiros direta ou indiretamente.

 

Segundo ele, cerca de 30 milhões de brasileiros são impactados pela questão das drogas, incluindo dependentes químicos, familiares, amigos e pessoas afetadas por situações relacionadas ao problema.

 

“É um problema que atravessa diversas áreas e que só pode ser amenizado com políticas públicas eficientes”, destacou.

 

Representando a Secretaria Municipal de Saúde, a diretora do Departamento Administrativo e Financeiro, Suzana Gomes, abordou os impactos da dependência química e defendeu o fortalecimento das ações de prevenção, da assistência em saúde mental e da atuação conjunta entre diferentes setores do poder público.

 

O vereador Alessandro Alves, que também é psicólogo e fundador do Cadeq, reforçou a importância da prevenção e compartilhou sua experiência pessoal.

 

“Hoje estou há 27 anos em recuperação e sei da importância de oferecer às pessoas a mesma oportunidade que um dia foi oferecida a mim”, comentou.

 

Especialistas participaram da roda de conversa

 

A mesa de discussão contou com a participação da psiquiatra do CAPSij de Cubatão, Camila Moura Raquel Ribeiro; da psiquiatra do CAPS AD, Eloá Politi Fernandes; do agente multiplicador do Dipe/Denarc, Marcelo Lourenço; e do perito judicial e terapeuta em dependência química e codependência, Gilson Inácio da Silva.

 

A mediação foi feita pelo psicólogo do CAPS, Luiz Aguiar.

 

Durante o encontro, os participantes abordaram temas como os efeitos das drogas na saúde mental, estratégias de cuidado, atenção aos profissionais da rede, redução de danos, trabalho multidisciplinar e a importância do envolvimento da família no processo de tratamento.

 

Também foi discutida a relação entre vícios comportamentais, como jogos de apostas, e os desafios enfrentados pelas políticas públicas de saúde mental.

 

Para Gilson Inácio, o acolhimento é uma etapa essencial para iniciar o cuidado.

 

“Acolhimento e escuta são a chave para o início desse processo. Eu mesmo passei por isso e sei como o cuidado fez diferença para que eu me recuperasse”, afirmou.

 

Cadeq completa 25 anos

 

A roda de conversa também marcou os 25 anos de fundação do Cadeq, entidade sem fins lucrativos que presta atendimentos gratuitos na área da dependência química para pessoas em tratamento e familiares em Cubatão.

 

O presidente da instituição, Severino Eleno Mendonça Correia, conhecido como Sivuca, afirmou que cerca de 8 mil famílias já foram atendidas pelo Cadeq ao longo de sua trajetória.

 

“Olhar para trás e ver tantas famílias assistidas é a prova de que o amor e o conhecimento são, de fato, os caminhos para a liberdade. Como adicto em recuperação, sei na pele a importância de não caminhar sozinho”, declarou.

 

Sivuca também agradeceu a atuação do CAPS AD, da Pastoral da Sobriedade, do Centro Pop, dos Narcóticos Anônimos (NA) e dos Alcoólicos Anônimos (AA) no município.

 

Semana Municipal de Políticas Sobre Drogas

 

A atividade integrou a Semana Municipal de Políticas Sobre Drogas, que começou na segunda-feira (22) e teve como objetivo fortalecer ações de prevenção e enfrentamento ao uso de drogas.

 

A programação incluiu capacitações, oficinas e rodas de conversa voltadas a profissionais da rede e à população, incluindo alunos da rede pública de ensino.

 

A Semana de Conscientização Contra o Uso de Drogas Lícitas e Ilícitas faz parte do calendário oficial do município, conforme a Lei Ordinária nº 3.746.

 

A programação foi encerrada na tarde desta sexta-feira (26), com uma oficina sobre prevenção para alunos da UME Rui Barbosa, no Jardim Caraguatá, com participação de Gilson Inácio e Sivuca Correia.

 

A iniciativa está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), especialmente o ODS 3, de Saúde e Bem-Estar; ODS 10, de Redução das Desigualdades; e ODS 17, de Parcerias e Meios de Implementação.

 

Compartilhe:

Julia Figueiroa

http://cubataonoticias.com

Edit Template