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CUBATÃO CLIMA

Governo autoriza início dos testes para elevar etanol na gasolina a 35%

O Governo Federal autorizou o início dos testes da gasolina E35, mistura com 35% de etanol anidro e 65% de gasolina. A medida, formalizada nesta sexta-feira (18), representa um novo passo no processo que pode elevar dos atuais 32% para 35% o teor de etanol na gasolina comum e aditivada vendida no Brasil.

A autorização dos testes é o principal fato novo. Ela não significa que a E35 já esteja liberada para venda nos postos. Antes de qualquer mudança, a nova composição terá de passar por ensaios técnicos e, caso seja considerada viável, dependerá de nova decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

A Lei nº 14.993/2024, conhecida como Lei do Combustível do Futuro, permite que o percentual de etanol anidro na gasolina chegue a 35%, mas condiciona o aumento à comprovação de viabilidade técnica. A Agenda Regulatória 2025–2027 do Ministério de Minas e Energia prevê para 2026 justamente a avaliação da viabilidade da E35 e a definição de um novo cronograma de elevação do teor.

Gasolina já tem 32% de etanol

Desde 1º de agosto, a gasolina comum e aditivada comercializada no país utiliza a mistura E32, com 32% de etanol anidro. A medida foi adotada em caráter temporário por 180 dias, com possibilidade de uma única prorrogação pelo mesmo período. A gasolina premium permanece com 25%.

A própria resolução que instituiu temporariamente a E32 condicionou a adoção definitiva dessa mistura, ou de percentuais superiores, à realização dos testes da E35. Com a autorização anunciada agora, o governo inicia justamente a etapa técnica prevista para avaliar o próximo patamar.

O que será avaliado nos testes da E35

A nova bateria de ensaios deverá aprofundar questões como consumo, emissões, desempenho, dirigibilidade, partida a frio, durabilidade dos motores, corrosão e compatibilidade dos materiais e componentes do sistema de combustível.

Durabilidade e efeitos de longo prazo ganham importância especial. Nos estudos que embasaram a E32, o governo avaliou veículos leves e motocicletas, inclusive modelos exclusivamente a gasolina, e informou não ter encontrado impactos relevantes no funcionamento e na dirigibilidade.

O Ministério de Minas e Energia também informou, ao instituir a E32, que testes específicos de durabilidade seriam realizados na avaliação de misturas iguais ou superiores à E35. É essa etapa que passa agora ao centro da discussão.

Motos e carros não flex entram no radar

A eventual adoção da E35 desperta atenção principalmente entre proprietários de motocicletas não flex, carros antigos, importados e outros veículos desenvolvidos exclusivamente para gasolina.

O ponto não é afirmar que a nova mistura necessariamente causará danos. A questão técnica é determinar se sistemas projetados para trabalhar com concentrações menores de etanol manterão desempenho e durabilidade durante milhares de quilômetros de uso.

Entre os componentes que merecem avaliação estão mangueiras, vedações, retentores, filtros, bombas de combustível, bicos injetores e peças metálicas do sistema de alimentação. Dependendo dos materiais e da especificação original do veículo, a exposição prolongada a uma concentração maior de etanol pode exigir atenção especial à compatibilidade e à corrosão.

E32 ainda é temporária

O avanço para os testes da E35 acontece pouco tempo depois da entrada em vigor da E32. Segundo o governo, os estudos realizados para a mistura atual apontaram funcionamento adequado dos veículos avaliados, inclusive os equipados com motores não flex.

Entretanto, existe diferença entre verificar funcionamento imediato e medir a vida útil de componentes depois de uso prolongado. Por isso, a nova etapa deverá produzir dados importantes sobre durabilidade e compatibilidade que interessam diretamente aos consumidores.

Mais etanol pode alterar consumo

O etanol possui menor conteúdo energético por litro do que a gasolina. Com o aumento de sua participação na mistura, o motor pode precisar consumir um volume ligeiramente maior de combustível para produzir a mesma quantidade de energia, dependendo da tecnologia e da calibração do veículo.

Por isso, além do preço do litro, os testes deverão ajudar a esclarecer o efeito da E35 sobre o consumo e o custo por quilômetro rodado.

E35 ainda não está autorizada para os postos

A distinção é fundamental: o governo autorizou o início dos testes da E35, não a comercialização da gasolina com 35% de etanol.

Os resultados dos ensaios deverão subsidiar a análise técnica e uma futura decisão do CNPE. Somente depois dessa etapa poderá haver uma eventual autorização para elevar novamente o percentual obrigatório de etanol.

Até lá, a gasolina comum e aditivada continua sendo E32. A partir de agora, porém, o limite de 35% previsto em lei entra em uma fase concreta de avaliação técnica, com testes que deverão indicar se a nova mistura pode ou não avançar para as bombas brasileiras.

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